Aqui você me verá conversando com a morte.
- thaisarespsicologi
- 22 de jan. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de jan. de 2022

Essa sou eu aceitando a missão que me coube nesta vida. Já tive outras ( missões e vidas)? Especulo que sim.
Se existiram outras vidas, eu sou alma antiga. Essa não deve ser a primeira. De tanto viver e, consequentemente, morrer, devo ter aprendido a dialogar com o deixar de ser - o simbólico e o concreto. Fica uma hipótese para a minha estranha proximidade com ela, que veste túnicas pretas e encanta-se ao me ouvir devanear.
Escrevo, estudo e pesquiso porque tenho perguntas. Você tem perguntas?
Na graduação, fui estagiária do Serviço Funerário. Desde cedo ela me colocou entre os dela. Cemitério. Velório. Necrotério. Sou mórbida? Os poetas me salvam. O bom humor me alegra. O amor me deixa viva. O coração aberto dos enlutados me convida a não desistir. A expressão dos profissionais de saúde lidando com a morte me faz correr maratonas complexas. Se você está aqui, é porque recebeu o convite dela. Eu sou apenas um personagem que ela pediu para a vida criar e, assim, facilitar a comunicação entre vocês.
Ao longo da vida podemos ir nos tornando cada vez mais quem somos e descobrindo ferramentas para lidar de modo saudável com tudo que nossa alma nos pedir. Faço psicoterapia. Você faz? Busco ajuda sempre. Você busca?
Neste blog e na vida, vou fazer a ponte entre você e tudo que ela evoca nos seres humanos. Tudo? Tudo que eu puder. Já adianto: vai demorar uma vida toda ( para mim e para vocês).
Percorrer o mundo em busca de amigos para ela é a minha missão. A psicologia não é apenas um lugar onde terapeutas "moram" em divãs. Seja você profissional de saúde ou não, a questão é que não podemos evitar este encontro com a morte. A encontraremos e, quando isto nos ocorrer, é bom que as pessoas ao nosso redor não fujam. Quanto menor o número de pessoas com medo da morte, mais ela ganha espaço para falar. O resultado disso? Perguntas. Ao ouvir a morte falar, as pessoas costumam perguntar e movimentar seus caminhos.
Vejam lá, eu não disse que este é um processo tranquilo. A morte frustra e o luto dói. Suportar a dor da morte é possível? Estou aprendendo a fazer isto e quero ensinar sobre. Não, eu não comecei nesta missão a partir de uma perda pessoal.
Ah, eu gosto de rosas brancas. Coloco-as ao lado da minha cama. Enfeito a minha casa. Isso é ritual nascido na dor. Enfeitar a vida é ato feito por quem escavou beleza em cemitérios despovoados de esperança e hospitais esvaziados de alma. Não suporto. Não aceito. Acredito que possa ser bem diferente, mais colorido.
Eu quero viver. Viver bem. Você quer?
Escrevo para colocar para fora aquilo que grita dentro. Intensidade. Sensibilidade que provoca até certa agressividade no gesto de acariciar sofrimentos.
Com muita sinceridade,
Thais Ares.
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